terça-feira, 20 de junho de 2017

A vendedora de capote






Ela sempre vende merenda pelas ruas da cidade de Urbano Santos, mulher mãe de família muito trabalhadora, passa de casa em casa com sua bacia na cabeça. É de praxe vir na sede do nosso Sindicato (STTR) na sala onde trabalho e oferecer suas vendas, vende de tudo: bolos, canjica, beiju de tapioca, suco natural e outras iguarias provindas da agricultura familiar; a gente sempre lhe ajuda comprando seus produtos naturais -, ela mora na comunidade Baixa D`Água há poucos quilômetros da sede. Sua casa fica próximo ao riacho que lhe fornece água para beber, lavar e irrigar sua pequena horta no quintal.

A Irmão Maria utiliza de outras rendas para sustentar sua família, cria animais de pequeno porte -, eu só não sabia da grande criação de capotes que tinha. Os animais vivem soltos numa área de chapada e brejal, disse que às vezes os capotes embrabecem e não voltam mais... Adentram para as chapadas afora. Certo dia ela passava no Sindicato para vender seus capotes; oferecera dois para a diretoria do Sindicato, R$ 30,00 reais cada ave. A Francisca do São Raimundo que hoje ocupa a Secretaria de Finanças do Sindicato os comprou para um almoço parecido com aqueles das reuniões em São Raimundo que o pessoal do Fórum Carajás bem conhece. Irmã Maria faturou R$ 60,00 reais que ajudará na renda de sua família. Os capotes foram preparados para o almoço com leite de coco babaçú – lembrando muito bem os almoços do São Raimundo, Bracinho e outras comunidades da Região do Baixo Parnaíba maranhense. A Francisca não perde seu talento de fazer um bom almoço, ultimamente ela tem se dedicado aos trabalhos burocráticos do Sindicato, mas os capotes só podiam ser preparados por ela.

Irmão Maria, agora quase não mais vende lanches, prefere se dedicar a criação de seus capotes para vender na feira e pra quem interessar compra-los, seus clientes, assim como o Sindicato, já lhe procura quando sente falta. Os manejos de criações de galinha caipira, capotes e cabras tem sido um negócio sustentável muito bom para as comunidades tradicionais no Baixo Parnaíba. Esse sistema muito tem ajudado as comunidades se manter em seus territórios, valendo acentuar os projetos agroextrativistas do Fórum Carajás em várias comunidades de diversos municípios do Baixo Parnaíba. Maria é parte desse trabalho e dessa consciência ecológica-social com suas aves debaixo do braço já é bastante conhecida pelos consumidores.

A vendedora de capote da Baixa D`Água gosta do ofício que faz, sua posse de terra precisa ser regularizada pelo estado. Ela é mais uma das posseiras que aguarda a vinda do ITERMA. Urbano Santos e Beláguas tem muitas áreas de terras devolutas do estado, terrenos ainda não mapeados, terras de associações que precisam ser arrecadadas para fins de Reforma Agrária. Os capotes para se reproduzir e por ser um animal arisco,  precisam de uma grande área. Ela também vende porções de “cozinhado de capote” já preparado, diga-se de passagem, uma iguaria sem igual dos vários e diversificados pratos regionais.



José Antonio Basto                                                                                                              


Visite o blog: https://bastopoetaemilitante.blogspot.com

domingo, 18 de junho de 2017

O vendedor



Entao, o Deuzim passa um papo de vendedor como nenhum outro. Ele devia um frango caipira a um amigo jornalista. Não se apressara em pagar a divida ate porque o via de ano em ano e quando se viam, o jornalista vinha com pressa. Da próxima vez ele leva (ou não leva). A divida não cresceu. Uma promessa não se guarda. Ela se cumpre. Eles se reencontraram no Baixão da Coceira. A Francisca, presidente da associação, convidara-os para a celebração católica que comemoraria a titulação de mais de duas mil hectares por parte do Iterma. A conversa sobre o frango reapareceu. Dessa vez não escapa. Outras conversas surgiram num crescendo. O Deuzim desejava comprar um celular capaz de fotografar e de acessar internet. Sim, as comunidades de Santa Quiteria acessavam internet. Dez anos atrás, as comunidades se deslocavam para a sede do município quando precisavam ligar ou precisavam acessar internet.   Propôs-se comprar o celular em troca de alguns frangos. O que seriam alguns frangos? Três frangos, podendo chegar a quatro. Tudo bem, so que eles ficam enquanto o celular não vem. Não é besta o moço. Ele foi embora cedo. Almoçaria em casa com a esposa e escolheria o frango. As comunidades de Santa Quiteria se responsabilizaram pela defesa da Chapada. Como viveriam as comunidades caso a Suzano Papel e Celulose e os plantadores de soja espalhassem seus plantios pelos mais de dez mil hectares de extensão da Chapada? Elas viveriam sem quintal, sem bacurizeiros e sem criação de pequenos animais. E sem agua porque o lençol freático se rebaixaria graças ao consumo desenfreado das monoculturas.    

terça-feira, 13 de junho de 2017

São Raimundo não será invadido



Quantos já foram os problemas enfrentados em São Raimundo, um vilarejo no coração do Baixo Parnaíba! Quantos já foram os entraves em que a Associação travara durante tempos, no contratempo! Quanto lhe custaram viagens, formações, participações em encontros e seminários para aprender defender seus direitos garantidos por lei. Esperam que o INCRA compre a terra do Loeff, mas pra isso esse proprietário tem que sentar para negociação com a instituição do Governo Federal. Ele quer vender a terra a preço de mercado, não vale o valor que pede, vale menos que isso – pede milhões numa área que nem ele mesmo a conhece -, se diz proprietário, mas não tem nada por lá, não tem sítio nem fazenda -, não quer abrir mão do imóvel, que apenas o poder. Quem realmente conhece a chapada do São Raimundo são seus moradores que usufruem e tiram dela parte de sua subsistência alimentar.
Em certa reunião do STTR para renovação da delegacia sindical que acontecera no dia 02 de junho deste, na casa da Francisca, o Zé Banga - atual Presidente da Associação contara ainda assustado de um acontecimento estranho; dizia que alguns poucos dias atrás ele terminava os serviços de sua roça à tardinha, mais ou menos umas cinco horas, descia fiscalizando os variantes (picos do terreno) que divide a área da Associação com outros confrontantes – como sempre ele mesmo diz que constantemente faz esse serviço de fiscalização. Percebeu um barulho esquisito nas nuvens: um helicóptero rondava o céu do São Raimundo, fazia um giro nas extremidades do Rio Preguiças e subia até a chapada - para os lados do Bom Princípio e Boa União. Alguém averiguava algo! Quem deveria ser? Os moradores acostumados numa vida pacata e ouvir somente o som dos pássaros e grilos se perguntavam: “Quem está nos filmando?” – “De onde veio esse bicho”? Em meio a essa dúvida, quem realmente teria interesse em sondar de cima pra baixa num helicóptero a situação do São Raimundo? Depois da matéria da TV Mirante sobre a safra do fruto do bacuri no São Raimundo e a resistência da comunidade na luta pela terra e pela preservação ambiental muitas coisas entraram em jogo: um povoado isolado, há mais de cinquenta quilômetros da cidade, que se transformara em exemplo de consciência e forma do trabalho coletivo para outras comunidades do Território do Baixo Parnaíba, essa comunidade a cada momento cresce seu valor existencial. A terra serve como alicerce da vontade de transformação social – os moradores que aguardam melhorias se mantém na área e usam como resistência as práticas agrícolas e extrativistas. A lei de proibição da “não derrubada do bacuri verde” – reforma o sentimento de liberdade e comunhão que eles oferecem a natureza. Precisam conquistar a posse da terra, pois o projeto continua tramitando no INCRA, as 1.136 hectares de terra deve ser desapropriada para as famílias que lá moram e trabalham. São Raimundo está sendo vistoriado não apenas pelos camponeses, mas pela ganancia do capital no campo representado por personagens que não tem o mínimo de respeito pelos movimentos sociais, pela Associação de Moradores... Por nenhum lavrador. “A terra bacurizada das chapadas do São Raimundo vale ouro”.
O Zé Banga, convicto e zangado afirmava no final de sua denuncia que a Comunidade São Raimundo é livre e não será invadida jamais enquanto os caboclos valentes estiverem vivos, a terra é de todos, será defendida com unhas e dentes e não será invadido nem por grileiros, nem por empresas... Nem por latifundiários. A terra será livre.

José Antonio Basto

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O que é e o que não é

Os moradores de São Raimundo, povoado de Urbano Santos, equilibram-se entre o Baixo e a Chapada. O rio Preguiças, por conta das ultimas chuvas, desconjuntou ainda mais esse equilibrio. A ponte (se é que dá pra chamar aquela estrutura de ponte), que liga o povoado de Bom Jesus ao povoado de Bom Principio, não suportou tanta água e precisará de reparos honestos assim que o nivel do rio abaixar. 
A região a que pertencem os povoados de São Raimundo, Bom Principio e Bom Jesus é conhecida como a Bacia do rio preguiças. Uma boa questão : o que é se sentir bacia do rio Preguiças? O prefeito de Belágua, em reunião do Comitê da Baia do rio Munim na cidade de Urbano Santos, discorreu sobre seu orgulho de ser da baia do rio Munim e que não entendia o porque de Belágua e Urbano Satos serem juntados aos municipios da bacia do rio Parnaiba.
A pessoa interge com o rio de diversas formas e, com certeza, ela se recordará dessas interações em algum momento: a pesca, o transporte de barco, o banho, carregar água, a vegetação e etc. Pelo rio Munim, transportavam-se inumeras mercadorias que abasteciam os comércios dos povoados que margeavam o rio. O fato de não haver mais transporte dessas mercadorias selou ou significou a morte do rio w O rio Munim se mantem nitido e vivo em vários pontos apesar do empobrecimento dos povoados e do envelhecimento das pessoas.  
O que é ser da bacia do rio Munim? Seria bom perguntar as quilombolas de Barro Verelho, povoado de Chapadinha, que saem cedo de casa com uma bacia de roupas em cima da cabeça para as lavarem à beira do rio. Ou então, caso não queria, pergunte a familia Leite , proprietária do Barro Vermelho, que retirou areia do leito do rio por anos seguidos até que em decisão recente a justiça federal embargou a mineração em razão dos proprietarios não possurem permissão do DNPM (Departamento Nacional de Pesquisas Minerais).
No seu di a dia, as pessoas tendem a evitar essas perguntas filosoficas. A mulher quilombola se conforma em carregar bacias e mais bacias de roupa porque se não for ela quem será? A familia Leite arranca areia e brita do leito do rio porque existe uma demanda constante para esses materiais por parte da construção civil  O tempo das pessoas não é para pensar sobre os seus atos e as prováveis consequencias deles para si e para o seu ambiente.
O que é ser bacia do rio Preguiças ? O Domingos, educador e agricultor de São Raimundo, percorreu com outros membros da associação vários quilometros, ao longo do rio Preguiças, da Barra da Campineira, em Anapurus, até São Raimundo, durante o verão de 2015. A Suzano Papel e Celulose desmatou a nascente na Barra e plantou seus eucaliptos. A nascente virou secante ou morrente porque o solo expulsava a água em vez de rete-la e com isso as pessoas passavam por necessidades hidricas avassaladoras.
Ao mesmo tempo que a água escorre longe em grande quantidade, ela circula perto das pessoas em pequenas quantidades. Como cozinhar se água? O José Antonio, nativo da bacia do Munim, almoçou uma galinha caipira em São Raimundo "daquele jeito que só a Francisca sabe fazer;" 
Mayron Régis      

terça-feira, 30 de maio de 2017

Gabriel Introvini perde ação de manutenção de posse

PROCESSO Nº 0000165-35.2015.8.10.0077 (1662015)
AÇÃO: PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO CONTENCIOSA | REINTEGRAÇÃO / MANUTENÇÃO DE POSSE
ADVOGADO: DJALMA MOURA PASSOS OAB 4920-MA e FÁTIMA SOUSA OAB/MA 10782
Processo nº. 165-35.2015.8.10.0077 (1662015). DECISÃO GABRIEL INTROVINI ajuizou AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE contra VICENTE DE PAULO COSTA LIRA, buscando defender posse relativa ao imóvel denominado Fazenda São Bernardo. A inicial, aforada em 07 de maio de 2015, sustentou que em 15 de agosto de 2015 o requerido "(...) invadiu parte da aludida propriedade, exatamente na área destinada à preservação ambiental, munido de moto serra e foice, realizando desmatamento dentro da aludida área de reser legal, ateando fogo, e causando danos ao autor e ao meio ambiente (...)". Despacho de fls. 18 determinou a adequação do valor da causa, com recolhimento das custas (fl. 18).Manifestação do autor a fls. 21.Determinado o pagamento das custas, sob pena de cancelamento da distribuição (fl. 24/25).Decisão prolatada em 08 de novembro de 2016 apontou que não foram comprovados os requisitos para concessão da liminar quando do ajuizamento da inicial e determinou a inclusão do feito em pauta para realização de audiência de justificação (fls. 29/30). O autor aforou petição em 10 de novembro de 2016, na qual requereu a citação do réu para contestar, no prazo legal (fl. 32).Determinada a citação do réu tão somente para comparecer em audiência de justificação (fl. 34).Designada audiência de justificação para o dia 22 de maio de 2017 (fl. 37).Citado o réu quanto à data da audiência (fl. 38).Intimado o advogado do autor quanto à designação da audiência (fl. 41), consoante publicação no DJE de 03 de abril de 2017.Em 17 de maio de 2017 foi apresentado pelo autor pedido de reconsideração em face do Despacho que determinou a realização de audiência de justificação. Argumentou, em síntese, ter direito à concessão de liminar de manutenção de posse, notadamente em razão de fatos novos (fls. 43/48). Juntou documentos.É o relatório. Decido. Entendo como improcedente o pedido de liminar possessória neste momento, em que pesem os judiciosos argumentos apresentados no pedido de reconsideração. Excepcionalmente, é o caso de indeferimento de liminar independentemente de realização de audiência de justificação, tendo em vista que a parte autora não apresentou o rol das testemunhas que seriam ouvidas na audiência designada para 22 de maio de 2017, com consequente preclusão deste meio de prova, consoante adiante se demonstrará. É certo que existem dois procedimentos relativamente a ações possessórias: a de força nova e a de força velha. A distinção do procedimento é clara, na forma do art. 558 do CPC, segundo o qual, "regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial". O parágrafo único do preceito complementa o caput: "Passado o prazo referido no caput, será comum o procedimento, não perdendo, contudo, o caráter possessório". A ação objeto dos autos foi intentada no prazo de ano e dia, contado do suposto esbulho ou turbação. Este aspecto implica na possibilidade de concessão de liminar própria, com requisitos específicos. Ocorre que o autor não demonstrou o cumprimento dos requisitos estampados no art. 561 do CPC quando do ajuizamento da ação. Vejam-se os preceitos legais que regulam a matéria:Art. 561. Incumbe ao autor provar:I - a sua posse;II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;III - a data da turbação ou do esbulho;IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração.Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada.Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes judiciais.Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração.Art. 564. Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 (quinze) dias.Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar.A doutrina esclarece a especialidade deste procedimento:O que o torna especial é a fase inicial, com a possibilidade de deferimento de liminar, que pode ser concedida de plano ou após a audiência de justificação. Com a autorização dada pelo art. 297, para a concessão de tutelas antecipadas em geral, caberia indagar se não teriam desaparecido as diferenças entre a possessória de força nova e a de força velha, já que em ambas é possível ao juiz deferir a medida possessória requerida desde logo. A resposta é negativa: as diferenças persistem, porque a liminar deferida na ação possessória de força nova, conquanto antecipe a providência possessória postulada, tem requisitos muitos diferentes da tutela antecipada genérica prevista na Parte Geral. (...) A liminar possessória não exige perigo nem urgência, mas tão somente que o autor demonstre, em cognição sumária, que tinha a posse e foi esbulhado ou turbado, a menos de ano e dia. A realidade é que a parte autora não se desincumbiu do ônus probatório, pelo menos neste momento processual.A audiência de justificação seria o momento processual adequado para fazê-lo. Entretanto, verifica-se que não foi apresentado pelo autor o rol de testemunhas que seriam inquiridas na audiência designada para o dia 22 de maio de 2017. A jurisprudência pátria não admite a inquirição de testemunhas cujos nomes não foram apresentados em rol depositado em juízo no prazo legal. A norma do art. 407 do CPC revogado (repetida, com alterações, no art. 357, § 4º, do CPC vigente) impõe à parte o ônus de juntar o rol de testemunhas no prazo legal. Veja-se a jurisprudência: AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - CERCEAMENTO DE DEFESA - ROL DE TESTEMUNHAS APRESENTADO FORA DO PRAZO LEGAL -ILEGITIMIDADE PASSIVA - REQUISITOS LEGAIS COMPROVADOS PELA AUTORA.- A teor do disposto no art. 407, CPC, com a
nova redação dada pela lei 10.358/2001, no rito ordinário, o rol de testemunhas deverá ser depositado 10 (dez) dias antes da audiência; - Desobedecido esse prazo, pode o juiz, ante a preclusão verificada, indeferir a oitiva das testemunhas arroladas pela parte, sem que haja, nesse caso, cerceamento de defesa. (Processo 200000043522230001 MG 2.0000.00.435222-3/000(1) Publicação 28/05/2004 Julgamento 6 de Maio de 2004 Relator BEATRIZ PINHEIRO CAIRES). Como se sabe, o depósito prévio do rol de testemunhas pelo autor, quando designada audiência de justificação prévia, tem por objetivo dar ciência à parte contrária, de quem são as mesmas, para que o réu possa contraditá-las, inquiri-las ou reinquiri-las. O advogado do autor foi intimado em 03 de abril de 2017 quanto à designação da audiência para o dia 22 de maio de 2017, tendo permanecido inerte quanto ao ônus processual que lhe foi imposto. Imperioso, portanto, declarar prejudicada a realização de referida audiência. Conforme demonstrado, a prova testemunhal que seria produzida em audiência de justificação revela-se impertinente, presente o fenômeno da preclusão temporal. A realização de referida prova seria nula, na linha da jurisprudência. Cito o acórdão seguinte: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. AUDIÊNCIA DE JUSTIFICAÇÃO PRÉVIA. INDEFERIMENTO DA OITIVA DAS TESTEMUNHAS. PARTE AUTORA QUE DEVIDAMENTE INTIMADA DESCUROU-SE DE APRESENTAR O ROL DE TESTEMUNHAS NO PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO. DETERMINAÇÃO CONTIDA NO ART. 407, DO CPC, QUE DEVE SER OBSERVADO TAMBÉM NO PROCEDIMENTO ESPECIAL, CONFORME PRESCREVE O ART. 931 DO MESMO CÓDEX. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. PROVA QUE PODERÁ SER REALIZADA QUANDO DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.A apresentação antecipada do rol de testemunhas que serão inquiridas em juízo não é mera formalidade processual e sim estrita observância à garantia do contraditório da parte requerida que ainda, no caso da audiência de justificação prévia, não pode sequer se manifestar nos autos. (Processo AI 573198 SC 2011.057319-8 Orgão Julgador Terceira Câmara de Direito Civil Partes Agravante: Margareth Wellington Pereira, Agravado: Jaime José de Barcelos Publicação Agravo de Instrumento n. , da Capital Julgamento 8 de Novembro de 2011 Relator Saul Steil). O preceito do art. 357, § 4º do CPC é aplicável às ações possessórias tendo em vista o teor do art. 566 do CPC.Sendo assim, caso fosse realizada a audiência de justificação prévia sem apresentação anterior do rol de testemunhas que seriam inquiridas em juízo, uma das finalidades pela qual o réu deve comparecer na audiência não seria cumprida, pois ficaria impedido de contraditar, se fosse o caso, as testemunhas apresentadas pela parte autora (com a juntada de documentos ou até mesmo testemunhas em relação a tal fato), o que seria impossível ante a não apresentação do rol de testemunhas até esta data. Ante o exposto: Indefiro o pedido liminar e o pedido de reconsideração, com fundamento no art. 561 do CPC, prejudicada a realização da audiência de justificação prévia designada para o dia 22 de maio de 2017; Determino a intimação do requerido para contestar, na forma do art. 564, parágrafo único, do CPC;Cumpridas as determinações acima, voltem-me os autos conclusos para despacho de saneamento e organização do processo, na forma do art. 357 do CPC.Intimem-se. Cumpra-se.Buriti, 18 de maio de 2017.José Pereira Lima Filho.Juiz de Direito Titular da Comarca de Buriti. Resp: 174029

A soja e a terra colonizada em Baixa Grande



Como entender a história e as fronteiras da soja no Brasil? Longe daqui a soja era descoberta e transitada nos sistemas de navegações pelo mundo desde o nordeste da China há milhares de anos atrás. Segundo pesquisas recentes da Embrapa em 2015 e 2016, a produção em nossa país foi de 95 milhões e 400 mil toneladas, as estimativas para a safra de 2017, podem variar de 101 a 104 toneladas do grão o que vai depender da produtividade. Um programa lucrativo apoiado pelos setores capitalista que nada mais e nada menos representa a exploração e expropriação de terras e sobretudo a expulsão dos camponeses e povos tradicionais de suas áreas. A soja chegava ao cerrado brasileiro, saindo do sul do país até o Mato Grosso, vindo pelo Tocantins à Balsas e subindo até o leste do Maranhão; há pesquisas que afirmam que uma das primeiras referências sobre o aparecimento de soja no Brasil data de 1882, na Bahia - mas só foi introduzida oficialmente em nosso país no início do século XX, mais ou menos em 1914.
A Comunidade Baixa Grande – zona rural do município de Urbano Santos, no leste do estado foi invadida por essa espécie sem que os próprios moradores entendessem o fenômeno e o perigo da monocultura. Os camponeses nem sabem o que é soja – ouve-se falar apenas, mas não sabe do verdadeiro problema que ela representa para o meio ambiente, eles sabem somente de alguns derivados. Aquela terra, antes devoluta do estado, agora pertence a um dito proprietário. Colonizaram a área para os investimentos do agronegócio; o veneno atravessa além de suas fronteiras, atingindo tanto os moradores quanto ao meio ambiente que outrora nem sonhava com isso.
Uma área de matas e babaçuais foi desmatada para se transformar em campos de soja, fica entre Urbano Santos e São Benedito do Rio Preto. Os camponeses vivem ameaçados pelos chamados gaúchos que matam seus animais como gado, cavalo, jumento e burro que circulam os rodapés das cercas. As plantações de soja se alargaram para o outro lado da estrada, local que fica próximo do Rio Mocambo – com certeza quando chove o veneno dos campos escoa para rio atingindo as espécies de peixes e todo ecossistema. Antigamente a região de Baixa Grande era produtora de farinha, arroz, milho e amêndoa de coco babaçu, hoje em dia a comunidade está cercada de fazendeiros e sem terra para plantar. Um processo de “Usucapião” tramita nos órgãos fundiários e aguarda respostas. Os trabalhadores rurais descobriram técnicas de produção de legumes em sistemas de hortas, trabalham com a pouca terra que tem em seus quintais, produzem de tudo: pimenta de cheiro, cebolinha, cheiro verde, quiabo e outros tipos de verduras – os produtos são levados para o mercado de Urbano Santos; o dinheiro  arrecada das vendas ajuda na economia das famílias camponesas que lá vivem –, maneiras essas de resistência pela posse da terra.
Mais uma vez para acentuar, o Rio Mocambo é importante para a vida, reprodução cultural e ancestral das comunidades da região, quando chove infelizmente o agrotóxico é levado para o rio, pois os campos estão bem próximos de suas margens. As comunidades vizinhas reclamam pelo mau cheiro do veneno que os aviões pulverizadores ateiam sobre os campos, correndo risco de se adquirir doenças como já se tem visto muitos casos na Região do Baixo Parnaíba, um problema sério que precisa ser combatido.
 Quanto se lucra na produção dessa soja? Pra onde ela vai? Esse capital adquirido com a força de nossa terra? A terra que deveria ser distribuída para os agricultores familiares. A soja atravessara as fronteiras do leste, ela talvez não seja de boa qualidade, talvez não seja transformada em óleo e carne para os supermercados, mas se transformará em “farelo” para alimentar porcos na África e na Ásia. Isso gera lucros extraordinários para o sojicultor. E as comunidades sabem disso? Alguns acham até bonito os grandes campos todo verde... Mas não sabem do tamanho do perigo que eles causam pra saúde dos seres humanos, insetos polinizadores e tantos outros animais das florestas e das águas.

José Antonio Basto
E-mail: bastosandero65@gmail.com                                                                                   




segunda-feira, 29 de maio de 2017

Grupo João Santos vende propriedade com comunidade quilombola dentro

O grupo pernambucano Joao Santos ergueu em menos de 40 anos uma parte do seu imperio empresarial de acucar e celulose nos municipios de Coelho Neto Duque Bacelar Caxias, medio parnaiba, Afonso Cunha e Chapadinhs, medio munim, a custa de expropriacoes de milhares de hectares das maos de agricultores familiares, de desmatamentos do Cerrado, da Floresta Amazonica e dos Babacuais. O governo do Maranhao, atraves do Iterma, avalizou varias irregularidades por parte do grupo Joao Santos como no caso da venda de tres mil hectares de terras publicas para um plantador de soja em 2007 nos municipios de Buriti e Anapurus. O grupo Joao Santos incorre atualmente nas mesmas praticas ao vender mais de tres mil hectares de Chapada no municipio de Buriti ao Andre Introvini sem que estejam esclarecidas as origens da documentacao da propriedade. Tanto o grupo Joao Santos como o Andre Introvini sao useiros e costumeiros na arte da intimidacao para que comunidades ou posseiros aceitem suas propostas. Querem por querem que as comunidades que vivem dentro da fazenda Brejao ou sartem fora ou aceitem viver em 5 hectares. Quer dizer o Joao Santos e o Andre Introvini podem usufruir de tres mil hectares a vontade enquanto que uma familia tem que se contentar com cinco hectares. Por conta desses fatos, o Forum Carajas solicita que o governo do Maranhao faca a discriminatoria na regiao do Belem e Brejao municipio de Buriti para tirar duvidas sobre a documentacao existente;que ow direitos das comunidades ao redor e dentro da fazenda sejam respeitados ou seja que nao sejam remanejados; que nenhuma licenca seja concedida para desmatar a fazenda; e que reconheca como territorio tradicional extrativista e de extrema importancia para a bacia do rio Munim.
Mayron Regis