segunda-feira, 1 de setembro de 2014

EUCALIPTO TRANSGÊNICO: O QUE VOCÊ PRECISA SABER

No próximo dia 4 de setembro será realizada em Brasília audiência pública sobre o eucalipto transgênico

A Futuragene / Suzano quer fazer do Brasil o único país do mundo a liberar essa tecnologia. Mas a própria empresa reconhece que não avaliou os efeitos da modificação genética que faz a planta produzir mais. Além disso, afirma que faltou tempo para estudar o impacto dessas árvores modificadas sobre as abelhas e sobre a produção do mel¹. 

As abelhas são os principais polinizadores dos eucaliptos e o mel é produto de elevado valor medicinal e nutricional. A empresa reconhece que as abelhas voam distâncias superiores a 6 km e que outras plantações podem ser contaminadas, mas alega que isso não é um problema pois os plantios hoje são feitos a partir de clones e não de mudas produzidas a partir de sementes. Acontece que só em 2013 o Instituto de Pesquisas Florestais comercializou 525 kg de sementes de eucaliptos², que seriam suficientes para plantar mais de 10.000 ha. 

A empresa também deixou de avaliar os aspectos nutricionais do mel produzido por abelhas que visitaram as árvores transgênicas e não realizou nenhum experimento sobre sua toxicidade e alergenicidade. Assim, não se pode dizer se é ou não seguro consumir esse mel. 

O que acontecerá com os apiários e produção de mel? E a produção orgânica de mel, própolis, pólen e geleia real? 

Certificados socioambientais como o FSC não aceitam a produção de árvores transgênicas³. 

A empresa diz que esse eucalipto transgênico é mais produtivo e assim não será necessário avançar sobre áreas nativas. Já o setor da silvicultura projeta expansão de 50% até 2020, chegando a 9 milhões de hectares4 

Hoje não há estudos disponíveis para se avaliar os potenciais impactos do eucalipto transgênico. Sem essas informações não se pode tomar uma decisão confiável sobre liberá-lo ou não. É isso o que diz o Princípio da Precaução, que está no artigo 1º da lei de biossegurança (Lei 11.105, de 24 de março de 2005).

Contatos:
Prof. Paulo Kageyama (19) (19) 9 9783-4258
Dr. João Dagoberto dos Santos (19) 9 9626-6842
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1 Ex. p.12, 17, 56, 67 e 69 do dossiê disponível em http://bit.
ly/eucaliptoGM
2 Relatório IPEF 2013.
3 http://bit.ly/fsc-gm-trees
4 ABRAF, 2011

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