quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Tucanos do Mocambo: a saga dos tucanos-vaqueiros, uma espécie ameaçada de extinção



Desde criança não os via, a espécie estar em perigo de extinção, alguns pássaros já desapareceram da região como o curió, primavera, guriatã, xexéu e muitos outros que eram comuns por aqui. Na Comunidade “Olho D`água” – Urbano Santos, localizada às margens do Rio Mocambo eles voam livremente – longe dos impactos ambientais causados em seus habitats, cantam a procura de alimentos e brincam sobre as árvores numa acrobacia incrível. Os “tucanos-vaqueiro” que assim são conhecidos no sertão vivem a procura de lugares seguros junto às matas do rio – eles partem migrando em bandos vindos de áreas que deram lugar à soja em Baixa Grande. Conversando com os mais velhos do povoado, me diziam que antigamente existia bastante tucanos nas matas e nos babaçuais da região, mas ultimamente os tucanos entraram na lista dos animais em perigo de extinção.
Esses pássaros são protegidos por lei, poucos sabem disso – outros nem sabem, ajudam no equilíbrio da natureza e na existência da biodiversidade. Atravessaram as fronteiras das comunidades escapando dos venenos do agronegócio... Dos impactos ambientais que tanto lhes prejudicam. Cientificamente os “tucanos” são registrados como/por (Ramphastos toco), tradicionalmente no Maranhão a espécie mais conhecida recebeu o nome de “tucanuçu” (grande), ou “tucano-vaqueiro”, como já citado acima – razão pelo qual o animal faz um barulho imitando o “aboio de vaqueiro”, este portanto sendo o maior dos tucanos, medindo mais ou menos 56 centímetros de comprimento e 540 gramas.
Os tucanos podem ser encontrados na Amazônia e principalmente no cerrado brasileiro. Possui um enorme bico alaranjado (cerca de 15 centímetros) com uma mancha preta na ponta. Sua plumagem é negra, com o papo e o uropígio brancos, a área ao redor dos olhos laranja e as pálpebras são azuis, vivem quase sempre em bandos e se alimentam de frutas do cerrado, complementando a dieta com alguns insetos e pequenas presas.
As mudanças climáticas e impactos socioambientais da monocultura do eucalipto e soja na Região do Baixo Parnaíba maranhense tem alterado os comportamentos e modos de vida de muitos animais silvestres como as várias famílias de pássaros que já não existem mais. Fenômeno esse que há mais de três décadas tem contribuído com tantos outros problemas relacionado à situação ecológica e agrária na região.

José Antonio Basto